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maedocoracaosoueu

Sab | 09.12.17

O REVERSO DA MEDALHA!!!!

Como já disse vezes e vezes sem conta a minha filha tem uma pediátra fora de série, assim sendo após mais uma consulta a pediátra mandou a Diana fazer um exame  ao coração, se me perguntarem porquê, já não sei dizer, são tantas consultas, tantos exames que já estou completamente baralhada, mas como já disse, não havendo um historial da Diana até aos 6 anos, idade com que a adoptei, isto é um non stop, para descobrir o quê? Não sei a pediatra é que sabe, e eu concordo com tudo o que me pede.

Pedido de exame foi enviado para o Hospital de S. João, pois no Pedro Hispano não fazem, e ficamos à espera da carta, não tardou, fogo, não tardou nada, recebemos notificação para fazer o exame, no espaço de um mês, ora para quem se queixa das demoras no Sistema Nacional de Saúde, eu não posso de todo queixar-me.

Mas vamos ao que interessa, o examo foi marcado para Outubro, já não me recordo do dia, para as 14H30.

Recebo SMS a lembrar que tinha exame para as 14H30, contudo e nao sei porque motivo, talvez seja a senilidade, disse à Diana que  que estava marcado para as 9H30, que teríamos de levantar cedo pois iriamos de autocarro, que pára mesmo à porta do Hospital, e assin sendo levantar cedo,pois não sabia o tempo que demorariamos na viagem.

E assim foi, no dia do exame lá nos levantamos cedo, arranjamo-nos e fomos "apanhar" o autocarro à hora marcada , pois no dia anterior fui verificar os horários que estão afixados na paragem, abençoados STCP.

Chegamos ao S. João meia hora antes da hora marcada, pois é um hospital que não conheço, e estando em obras, eu tinha que encontrar a pediatria, um drama , devo dizer, uma drama, aquele Hospital parece um labirinto, e após passar por vários departamentos, incluindo o de oncologia, situação que deixou logo indisposta, cheguei à pediatria, situada nos confins do Hospital e dentro de um contentor, mas lá dentro estava tudo muito bem organizado, devo dizer.

Nesse dia havia greve dos enfermeiros, mas mesmo assim fui.

Fui validar consulta e sentei-me com a miúda sempre a olhar para  o quadro eletrónico, e o meu número não chegava, nem por um decreto o número chegava, a catraia que tinha os documentos na mão só dizia:

-Mãe o papel tem 14h30.

-Diz filha!!

Eu já a stressar pois já lá iam duas horas

-No papel diz 14h30.

-Isso não quer dizer nada.

Eu a stressar, crianças a chorar, outras a fazer birras, mães a ralhar com os miúdos, mas as consultas estavam a fluir, a greve não estava a afectar em nada, mas as crinaças estavam impacientes, normal, como é obvio.

Quatro horas à espera, já tinha atingido o meu estado de ebulição

-Didi vou às meninas, e vou fazer uma reclamação

-Sério mãe! Só podes estar a brincar!

-Didi, não vou fazer escândalo, só quero fazer uma reclamação, já estamos aqui à quatro horas

E assim fiz, fui ter com a administrativa pedi livro de recalmações e foi-me dito que teria que ir à secretaria central, no problem estava para tudo, mas entretanto a menina pede-me os documentos, e ao vê-los diz:

-Mãe a consulta da Diana está marcada para as 14H30

A minha flha:

-Vês, eu disse-te várias vezes 

A menina contudo pediu desculpa pois podia ter reparado, e eu não tinha necessidade de lá estar tantas horas, ia dar uma volta com a miúda e voltava às 14H.

Também pedi desculpa, não por ter sido mal.educada,porque não fui, mas por entrar a matar com livro de reclamaçãoes.

Fui  almoçar com a promessa da administrativa, que assim que chegasse, entraria de imediato e esperaria pela médica no consultório.

Como é que estas coisas acontecem? Olhei para o papel  e vi 9h30? Como é que apontei no calendário 14H30 e no entanto só via 9H30? Como é que recebo mensagem com 14H30 e li 9H30? Não sei, não sei explicar, aquela hora entrou no meu cérebro, invadiu-o e deu no que deu

Pedi desculpa à minha filha , fomos à hora que a que a menina indicou e às 14H15 foi feito o exame, mas antes disso voltei a perder-me naquele labirinto, desta vez fui ter à casa funerária, lá andei a perguntar como chegar à pediatria e conseguimos, para não pensarem que estou mesmo no limite da senilidade, eu desta vez entrei por outro lado do Hospital, logo o ter acontecido isto.

Serve esta história para dizer que há sempre um Reverso da Medalha, embora eu fale das cenas da adolescência, a minha filha tem muita paciência comigo, outro miúdo qualquer fazia uma fita, recusar-se-ia a ir à consulta e sabe-se lá que mais, ela não, tranquila

Lá fez o exame, aborrecida com tudo, como é óbvio e no fim só dizia:

-Eu não te disse que o ticket tinha 14H30?

-Deixa Didi, por hoje já chega e já te pedi desculpa

Se os filhos têm paciência para aturar estas nossas trenguices, nós temos obrigação de aturar as deles certo?