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maedocoracaosoueu

Dom | 10.06.18

A MINHA RELAÇÃO COM O VICTAN!!!!!!!!!!VERGONHA PORQUÊ!!!!

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Não tenho vergonha do tema que aqui vou falar.

Tenho uma relação de amor/ódio com o Victan.

Já tomo este comprimido à 15 anos.

Não consigo largar.

Não adianta dizerem inspira e expira que as crises de ansiedade passam.

Não, não passam.

É mais forte que eu.

Logo para quê lutar contra isto?

Sou fraca, sim provavelmente.

As crises de ansiedade começaram do nada.

Estava a trabalhar.

Tudo tranquilo.

Quando de repente, e não me consigo esquecer.

O colar que tinha ao pescoço começou a pesar.

Parecia que pesava 50 Kilos.

Tirei-o de imediato, estava a faltar-me o ar.

O meu coração começou a palpitar, tanto mas tanto que pensei:

"Vou ter um enfarte"

Fui para o hospital de imediato.

O coração estava ótimo.

Viram logo o que se passava.

Pastilha debaixo da língua e pronto.

Parecia uma zombie, mal podia falar.

 Mesmo assim fui trabalhar.

Depois dessa crise vieram mais, mas com sintomas diferentes.

Vontade de vomitar, um aperto na garganta, não conseguia engolir nada.

Voltei ao hospital.

Mais uma pastilha.

 Terceira vez que fui ao hospital, a médica era Espanhola.

Não esqueço as palavras e o gesto dela.

Pôs a mão em cima da minha e disse:

-Paula, não podes continuar assim, isto significa que estás a entrar em depressão.

Tudo isto em Espanhol, mas eu entendi.

Depressão!!!!!!!!!!!!!!!

Não!!!!!!!!!!!

Nem pensar.

Motivo destas crises.

Namorado hipocondriaco, colega de trabalho que só falva em doenças e outro colega que dizia ter um cancro na cabeça, só pensava nisso.

O meu cerebro tal como uma esponja começou a absorver toda esta informação.

Comecei a pensar que também tinha uma doença grave.

E isto não me saía da cabeça.

Emagreci uns 10 kilos.

Parecia um esqueleto.

Mas não podia continaur a tomar a quela maldita pastilha o Diazepan, que me punha a falar como se tivesse bebido uma garrafa de vinho.

Continuei a trabalhar.

Contudo os patrões quando me viram naquele estado mudaram-me de sector.

Foi ouro sobre azul.

Deixei o escritório dos paranoicos.

Pois, eu tabalhava lado a lado com o meu namorado, o que também não ajudava para o caso.

Já bastavam as crises que ele tinha em casa.

Fui ao médico de família, já não aguentava mais,  como não tomava medicamentos a não ser o Voltaren para uma dor de cabeça, o que era raro,receitou-me o Victan.

E deu-se o milagre.

Comecei a ver as coisas de outra maneira.

O mundo passou de cinzento a côr de rosa, nesse mundo não havia doenças.

Ajudei o meu namorado com as crises dele.

Comecei e ignorar as conversas dos meus colegas.

Que efeito têm estes medicamentos no nosso cerebro?

Bem só a medicina o poderá explicar.

Ainda hoje tomo o Victan.

E é devido a ele que consigo ser mais poderada nas minhas atitudes.

Não sou uma serial killer, apenas consigo encarar as situaçoes com mais calma, serenidade.

Consegui ultrapassar situações muito complicadas na minha vida com a ajuda dele.

O facto de tomar o Victan não foi impedimento para adoptar a Diana.

Mas podiam pensar em tudo e mais alguma coisa, e tinham as suas razões.

Foi com a ajuda do Victan que consegui enfrentar  o bullying infilgido à minha filha.

Ao contrário da outra mãe que tinha uma depressão crónica e nos fez a vida num inferno, a filha e ela.

Tive que "lutar" contra estas duas pessoas, sozinha, mas sempre com sensatez, com calma e serenidade, para meu bem e para o bem da minha filha, que era o elo mais fraco, a parte mais afectada.

Se não tomasse o Victan acho que teria espancado a miúda, a mãe e o pai, e não é este tipo de atitude que a minha filha, algum filho, deve presenciar.

Em tudo sou ponderada, como é óbvio com conta peso e medida, pois tem dias em que me passo da cabeça, mas acho que isso é normal, tenho direito a dias maus.

O mais caricato disto tudo.

Conheço muitas pessoas que tomam este medicamento mas não o admitem, têm vergonha.

De quê?

O estigma.

Se tomo Victan ou outra coisa qualquer sou maluquinha.

Conheço tanta gente que não toma o Victan mas toma Xanax e depois?

Como é óbvio todos têm direito às suas reservas, não têm que andar com um badalo a dizer o que tomam ou não, mas quando confrontadas por algum motivo com esta conversa, nicles, fecham-se em copas.

Mas sabem dizer:

-Pergunta à Paula pois ela toma o Victan.

Não sou menos pessoa por tomar esta pastilha.

Não sou menos mãe.

Não sou menos mulher. 

Não sou menos filha.

Não sou menos amiga.

Gostava de não tomar, já tentei largar, mas foi pior a emenda que o soneto.

Pode ser que um dia.

Quando não sei.

Confesso que andei a adiar este tema há muito tempo.

Porquê?