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maedocoracaosoueu

Ter | 12.06.18

E POR FALAR EM EQUILIBRIO!!!!!!!!!!!!!!!!

Este é um tema que ainda me dá um aperto no coração, doeu tanto, acho que me doeu mais a minha do que à miúda

E nesta siruação tive que manter o equilibrio.

Estava a miúda no sétimo ano e pensava eu ,que estava tudo a correr bem, pensava eu!!!!!!

Quando de repente a meio do segundo período recebo uma chamada de um telemóvel que não conhecia, mas atendo todas as chamadas,mesmo não conhecendo o número e ainda bem que o fiz, era a minha filha:

-Mãe estás calma?

-Sim estou filha porquê?

Desata a chorar e diz-me que teve uma falta disciplinar, foi ao GAT e lhe apreenderam-lhe telemóvel, o que a preocupava era o telemóvel.

- O que aconteceu Diana?

-Chamei vaca a uma colega

-Porquê?

-Porque ela mandou-me pastar.

- Oh meu doce, não são só as vacas que pastam há outros animais que o fazem, porque levas tudo tanto a peito? Vou já para aí

Não foi tarde  nem foi cedo  saio da empresa a correr para a escola que por sorte ficava a 5 minutos a pé, mas acho que lé cheguei em 3 minutos ou menos, não interessa.

Ela vem ter comigo a chorar acompanhada de uma colega de turma e não consegue explicar o que se passou, a colega explicou, uma miúda da turma dela chamou "vaca, a uma colega e pediu à minha que se desse como culpada pois aoutra miúda já tinha algumas faltas disciplinares e não queria mais, e a minha assim fez disse à professora que tinha sido ela, ora nem é tarde nem é cedo, GAT, falta disciplinar e telemóvel apreendido, entretanto a miúda insultada diz-me:

- Dona Paula, não foi a Diana que me chamou vaca, foi a Gabriela e pediu à Diana para se culpar quando a professora perguntou quem dito tal coisa.

Peço para chamar o diretor de turma, recebeu-me a mim e às miúdas e ouviu a história, exigi o telemóvel, pois a falta que se lixe nem me estava a preocupar, mas não sendo a miúda culpada queria o telmóvel, e lá mo deram.

 OK passou.

Dias mais tarde recebo outra chamada desta vez da minha filha, novamente num pranto a dizer que a Gabriela tinha ido ao balneário e tinha destruido tudo o que estava no saco dela, chegou ao ponto de lhe partir a fivela do cinto, as fivelas são de metal!!! tal foi a raiva da miúda, a minha filha estava em pânico,eu ainda não estava a entender o que se passava, falo com uma colega ao telemóvel e a miúda também muito assustada contou-me o sucedido, pois a minha só me dizia que precisava de uma cinto, um cinto era só o que dizia.

Ao telefone com a colega digo:

-  Barbara o que aconteceu?

-Dona Paula foi a Gabriela. A Diana não devia ser amiga da Gabriela.

-Ok, mas repara a Diana só a tem a ela como amiga, vocês não lhe ligam.

-Não Dona Paula, a Gabriela é que não nos deixa chegar perto da Diana

WHAT?

Passei-me simplesmente passei-me, lá fui outra vez em modo corrida para a escola falar com o diretor de turma que por sua vez chamou o pai da miúda.

Após este episódio começam as reuniões com a Gabriela e o pai, várias reuniões pois era episódio atrás de episódio.

DOENTIO é só o que posso dizer.

A Gabriela mentia com todos os dentes que tinha, o pai defendia-a, claro era pai, vim a descobrir que ela enviava mensagens à minha filha, mensagens essas que o diretor de turma passou para uma pen, caso eu quisessse ir à policia.

Aliás eu também recebi mensagens tão insultuosas que nem queria acreditar , uma miúda de 11 anos com aquele tipo de linguagem!!!

Ainda desconfio que terá sido a mãe, mas não sei!!!!!!!!!!!!

 Um filme, filme de terror, devo dizer.

 Apetecia espancar a Gabriela.

Era esse o meu sentimento, serenamente só pedi para a Gabriela se afastar da Diana, mais nada, distância, eu queria distância.

Mais um episódio, a mãe da miúda liga-me,estou a trabalhar e desligo-lhe o telemóvel, já sabia que não era nada de bom, a senhora manda-me uma mensagem que sinceramente não tinha pés nem cabeça, depois liga à minha filha, que está no apoio de matemática e a professora ao ver quem era pede para ela desligar o aparelho, a Diana estava autorizada a deixá-lo ligado, caso necessitasse de algo ou se eu precisasse de falar com ela.

Mais uma reunião com a Gabriela a minha filha e o pai,mais aquela vontade de a espancar, pois segundo entendi ela disse à mãe que a minha filha tinha dito que ela ía ser retirada aos pais pela segurança social, mas na reunião não foi bem assim, não foi a Diana que disse tal coisa, quem foi não sei , a miúda baralhou-se toda, bem mais uma vez disse:

-Gabriela quero-te longe da Diana, longe! Distância.

Já não queria ouvir mais nada, já estava cansada e o diretor de turma não tinha palavras para tanta maldade.

O pai da miúda não gostou, mas eu queria lá saber, já nada me importava, ele nem sabia das mensagens, ficou a saber nas reuniões.

Continuo:

-E o professor vai separá-las nas aulas, e o Sr. Pai vai controlar isto senão vou mesmo à policia, estou farta, farta de perder horas de trabalho, farta de ver a minha filha em pânico, farta de aturar a sua mulher, falta de aturar a sua filha, farta de ser insultada.

FARTA FARTA.

O problema aqui resume-se ao seguinte, a mãe da Gabriela sofre de uma depressão crónica desde os 12 anos de idade.

A Gabriela entrou para o secundário com uma depressão, que quanto a mim não estava a ser bem tratada e a vítima era  a minha filha, como a mãe da Gabriela está em casa todo o dia, acreditava em tudo o que a filha lhe contava, não filtrava, e ligava para a minha filha, a sério! a miúda na altura tinha 13 anos, 13 anos! que mãe liga para uma miúda a pedir explicações?

 Muito mais haveria para contar, mas só tenho a dizer isto nós pais , aliás eu mãe, não nos apercebemos que os nossos filhos são vítimas de bullying, sendo ele psicológico, ou físico.

Sim, se os filhos não falarem connosco é muito díficil de detetar, caso da minha, e se vão bem dispostas para a escola, caso da minha.

A escola tem culpa?

Não.

Os professores sim pois muitos já se tinham apercebido e não disseram nada.

Remeteram-se ao silêncio, quiseram ficar isentos o porquê não sei.

Se tivessem agido as coisas não iriam tão longe.

Falta de altruismo, medo.

Não sei dizer.

O que é um facto é que a minha filha ía apavorada para a escola e eu não me apercebi.

Não me apercebi pois levantava-se sempre bem disposta.

Nunca manifestou pouca vontade de ir às aulas.

A minha filha sofria e eu não me apercebi.

Telefonava-me muitas vezes para falar de tudo e de nada e eu não me apercebi.

Mandava montes de mensagens sobre tudo e sobre nada e eu não me apercebi.

Por este motivo obriguei os professores a reprovar a Diana, obriguei mesmo.

Porquê?

Primeiro porque a Diana não estava preparada para o 8º ano.

Uma criança que vive em pânico não está atenta às aulas,mas sim a pensar no que a amiga irá fazer a seguir, com a agravante de ter problemas de concentração, associados ao deficit cognitivo, não tinha outra alternativa.

A Diana se transitasse de ano iria ficar na turma da Gabriela.

Até que ponto sacrificamos os nossos filhos para que tudo seja melhor?

SEMPRE QUE FÔR PRECISO, AS VEZES QUE FÔR PRECISO.

MAS DE UMA COISA TIVE A CERTEZA A MINHA FILHA É UMA MIÚDA MUITO FORTE

E TIVE QUE MANTER O MEU EQUILIBRIO, PARA QUE A MINHA FILHA MANTIVESSE O DELA.

Ter | 12.06.18

NÃO TENHO PAI E DEPOIS!!!!!!!!!!!!

Como já disse várias vezes a adopção da Diana foi uma adopção monoparental.

após o fim de uma relação de 10 anos e da qual não houve filhos, pois o N já tinha uma, eu queria ser mãe, ponto final queria ser mãe!

 Sempre respeitei a decisão dele de não querer, fui burra podia engravidar e já estava , mas não, não sou assim e o respeito pelos outros é muito importante.

No início para a Diana o não ter pai foi sempre muito complicado.

Os colegas metiam-se com ela, diziam que era impossivel ela não ter pai.

Ela não sabia o que lhes dizer.

Chegava a casa desesperda por uma resposta.

Uma resposta para os colegas.

As crianças conseguem ser muito crueis.

Tão pequenas e tão crueis.

Ela já estava tão desesperada por ter um pai que me perguntou o que tinha acontecido ao dela.

 Ela pura e simplesmente venerava a figura masculina.

Saltava-lhes para o colo, algo que me fazia muita confusão.

Com os meus amigos era sempre a favor deles e contra mim.

Tenho que ser honesta, não estava preparada para esta pergunta, como nessa altura ainda não lhe tinha dito que era adotada, o que iria dizer sobre o pai?

Dizia-lhe que o pai a tinha abandonado, quando a devia ter amado?

Mas ela resolveu o assunto:

-Mãe o meu pai morreu não morreu?

-Sim filha morreu.

Confesso que ninguém nos ensina a encarar esta situação, e quando elas surgem, as respostas têm que ser tão rápidas, que nem tempo temos para pensar, isto não funciona naquela base de "eu vou pensar e já te respondo".

- Mãe o meu pai chama-se Rodrigo não chama?

Oh! que raio!

-Sim filha chama.

-Mãe quero ir ao cemitério vê-lo

Raios! Raios! Raios! Com esta não estava a contar, tinha que ir ao cemitério com a miúda e procurar todas as campas até encontrar um Senhor chamado Rodrigo, a sério?

Só para mim.

Lá fui protelando a visita ao cemitério, não me estava a apetecer de todo ele há sítios onde se pudemos evitamos entar, certo?

A miúda com esta questão resolveu mais um "macaquinho" dentro da sua cabecinha, pois ela precisava disto para fechar mais uma gaveta.

Lá disse aos colegas que o pai tinha morrido e que se chamava Rodrigo, e eles pararam de a chatear, ao pararem ela também perdeu a vontade de ir ao cemitério.

Mas a questão da figura masculina manteve-se, tinha uma "paixão" pelo tio tudo o que ele dizia era lei.

 Eu era a mãe que lhe ralhava, castigava e sendo mulher era muito má em comparação com os homens.

A Diana cresceu e uma vez à hora do almoço, ou jantar, não me recordo, ouviu a notícia, sim aqui em casa os pais gostam de ter a televisão ligada, eu não concordo, mas tenho que os respeitar.

Como dizia, ao ouvir uma notícia de um pai que tinha violado uma filha, vi que ela estava muito atenta à televisão, o que não é normal pois à mesa ela gosta de conversar, aproveitei a atenção dela à notícia, pois ela nunca prestava atenção, agarrei esta oportunidade e disse:

-Vês filha os pais também fazem mal aos filhos, não são só as mães, é óbvio que há mães que são más, mas os pais também são. E temos o inverso, há boas, muito boas mães e bons, muito bons pais.

Não disse nada, ouviu, captou e guardou.

O que é um facto é que a atitude dela mudou, não ficou a detestar os homens, nem ela tem essa capacidade, não faz parte do feitio dela, mas que mudou, mudou e eu fiquei mais aliviada.

Se resolvi bem ou mal a situação, o que é um facto é que resolvi, tal como as crianças, as mães não têm livros de instruções, logo guiamo-nos pela intuição