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maedocoracaosoueu

Ter | 06.11.18

A PLENITUDE DE SENTIR!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Depois de um tempo é difícil abrir o coração novamente e de maneira espontânea.

As derrotas no jogo do amor ensinam-nos a racionalizar alguns sentimentos e, por este motivo, gostar de alguém não é tão simples como deveria ser.

Criamos barreiras, exigências, inventamos mil motivos, mais para o não do que para o sim.

É para nós uma questão de sobrevivência, se não sabemos, acabamos por descobrir atalhos para sermos felizes sozinhos. Aprendemos as coisas que nos aliviam, que nos deixam felizes, que nos acalmam, que nos distraem e que nos fortalecem. Construímos um mundo particular confortável e uma cela quase intransponível para o coração.

De vez em quando aparece alguém que bate à porta, educadamente, quer entrar, e por mais que a pessoa mereça uma chance, às vezes entregarmo-nos é custoso.

Parece cansativo sair do conforto de não sentir vazios no coração ou nós na garganta, porque gostar de alguém às vezes causa estes efeitos colaterais mesmo que isso custe não morrer de amor nos finais de semana e levar uma vida sem grandes intimidades.

Pagamos o preço do não amar, às vezes com gosto.

Criamos um medo enorme, mas ele não é de amar, nunca foi.

O medo é de dar errado, de nos machucarmos, de nos entregarmos à toa, de quebrar a cara e sofrer novamente.

Com o tempo ficamos fortes para a vida, mas frouxos para o amor.

É como ter medo de alturas, porque não se tem medo da distância entre o chão, mas sim da possível queda.

E nesse medo que acumulamos, passam algumas pessoas que poderiam ter valido a pena insistir, mas até nisso, a motivação acaba.

Lutar por alguém, doar-se um pouco mais para que algo dê certo é esforço danado.

Insistir em alguém parece exaustivo.

Com o tempo ficamos práticos, se der certo óptimo, senão adeus.

Enquanto encaixa o jogo continua, se uma peça se perde, o é melhor substituir.

O problema é que ficamos práticos demais.

É contraditório mas às vezes o medo reside em não dar certo.

E se com esta pessoa funcionar?

E se eu for feliz de uma maneira que nunca imaginei que seria?

Quem me garante que desta vez a pessoa não irá embora?

Quem me promete que as atitudes dela me renovarão a cada dia?

Mas a vida é este risco incalculável de incertezas, talvez a saída seja entregar-se totalmente mesmo, sem limitações.

Se quebrar a cara, quebrou, compramos uma máscara enquanto concertamos os danos.

Se machucarmos o coração focamo-nos no trabalho, enquanto choramos nos intervalos do almoço, enquanto as lagrimas levam as decepções e a nossa coragem embora, mas a coragem recupera-se, trazemos de volta, e as decepções transformamos em aprendizagem.

Depois de um tempo é preciso muita coragem para sair desta mediocridade de relações superficiais.

Talvez valha a pena encarar o medo, mesmo que a gente precise um tempo de solidão e de calma no coração.

É preciso criar um alarme para não perder o horário de voltar a abrir o coração, de querer com ânsia os mais puros sentimentos.

Mesmo que não seja o momento, mais tarde ou mais cedo iremos precisar de ter coragem para voltar a subir até ao andar mais alto do prédio, mesmo com medo, porque um dia a alma fica inquieta e pede.

E que este tempo seja para criar impulso e depois pular com tudo, porque estar vivo só vale a pena quando podemos com toda a sua plenitude sentir.

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