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maedocoracaosoueu

Qua | 14.11.18

SOMOS POESIA AOS OLHOS DE UM ANALFABETO!!!!!!!!!!!!!!AINDA SOBRE SOLIDÃO!!!!!!!!!

 

Acredito que a solidão a dois seja uma das piores frustrações que uma pessoa possa experimentar.

Sabem quando alguém se casa sem amar e sem ser amado?

Falo daqueles “amores” arranjados, aqueles amores apressados por tanto temer a solidão, onde não há admiração, nem tesão, nem amor, pura e simplesmente pelo medo de ficar sozinho, não sabendo os envolvidos que  a solidão mais destruidora é aquela que se experimenta ao lado de alguém.

Deve ser horrível sentir que o nosso abraço não encaixa no outro, pior ainda, é a certeza de que o outro não faz questão de ser abraçado por nós.

Deve ser desolador olhar para uma boca e não sentir sede de beijá-la, mesmo quando regressamos de uma longa viagem sem o nosso companheiro.

É constrangedor  aquele sexo sem afecto, sempre.

Aquele toque que não diz nada.

Aquele  ritual cronometrado e previsível como quem ‘pica o ponto’.

Aquele sexo puramente fisiológico, sem entrega, sem alma, cheio de reservas.

 E depois, quando acaba, não existe aquela vontade de ficarem agarradinhos, sem falar nada. 

Eu falo sobre a ausência da sensação de pertencer na própria relação, é  sentir-se o tanto faz de um para o outro, é  dar-se conta de que nossa ausência não é sentida, a nossa chegada não é festejada.

Certamente, tudo isto magoa e angustia o outro lá bem no fundo da alma.

Não quero dizer que relacionamentos felizes são aqueles cheios de desejo o tempo todo, mas é um facto que o desejo com uma certa frequência é vital para qualquer união.

Esmaga a autoestima de qualquer pessoa dar-se conta de que o companheiro não a conhece, não conhece a sua essência e nem faz questão de conhecer.

Não há interesse em aprofundar-se no outro, em olhar nos olhos de verdade, em decifrar os sorrisos ou os silêncios.

Juntos e tão sozinhos, desolados numa relação que não oferece aquilo que tanto anseiam: amar e ser amado.

Solidão a dois é aquele sentimento de que o outro não tem a senha para ter acesso à nossa intimidade mais autêntica e genuína.

É  ser olhada mas não ser vista.

É ser poesia aos olhos de um analfabeto.

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