E QUANDO OS FILHOS COMEÇAM A VOAR!!!!!!!!!!!!
Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho.
Eu mesmA sempre a empurrei para fora.
Mas com a minha aconteceu já muito tarde.
Muito tarde para alguns, na altura certa para mim.
Agora não pára por cá.
Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas.
Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como um ninho abandonado no alto da árvore…
Mas, o que eu queria, mesmo, era poder tê-la de novo dormir no meu colo…
Existem muitas maneiras de voar.
Até mesmo o vôo dos filhos ocorre por etapas.
O desmame, não é o meu caso.
Os primeiros passos, não é o meu caso.
O primeiro dia na escola, aqui começou a minha etapa.
Sair sozinha com os amigos, uma excelente etapa.
A primeira dormida fora de casa, mais uma etapa.
Os escuteiros ajudaram muito nesse sentido.
A partir do momento em que temos um filho seja biológico ou adopatado temos de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar.
Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade.
Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar.
É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.
É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar um lugar de destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo longe de nós
É chegado então o tempo de recolher as nossas asas.
Aprender a abraçar à distância.
Comemorar vitórias das quais não participamos diretamente, somos meros espectadores.
Apoiar decisões.
Isto é amor.
Muitas vezes, confundimos amor com dependência.
Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais.
Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis.
Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos ouvidos e amados.
Muitas vezes confundimos amor com segurança.
Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos.
Impedimos que eles procurem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos.
Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que impede-os de navegar nas ondas de seu próprio destino.
Muitas vezes confundimos amor com apego.
Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma.
Ficamos colados ao medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida.
Respiramos menos, pois não cabem no nosso corpo os ventos da mudança.
Aprendi que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda.
Não adianta querer que seja diferente: o amor é como uma cavalo alado.
Aprendo que a vida é feita de constantes "mortes" quotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo.
Cada fim é um começo.
Cada ponto final abre espaço para uma nova fase.
Aprendo que tudo passa menos o movimento, o ir e voltar.
É nele que temos que repousar ter fé, pois assim será mais fácil aceitar.
Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver a minha filha crescida, ainda se assusta por não saber o que fazer.
Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível.
Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar. E não há estrada mais bela do que essa.
Seja uma estrada sinuosa ou não é o caminho dela, é o caminho que terá que percorrer, sempre com uma retaguarda.
OS PAIS.
Os pais que seguram as pontas.
Os pais que os acolhem de novo.
Os pais que os empurram quando eles querem desistir.
Embora os nossos filhos voem o ninho é sempre o ponto de paragem.
E bem vindos sejam de novo a casa.
Depois partem outra vez.