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maedocoracaosoueu

Seg | 26.02.18

HÁ COISAS QUE NÃO COMPREENDEMOS ATÉ LERMOS ESTES LIVROS!!!

Resultado de imagem para imagens do livro 19 minutos

 
Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 26º livro lido em 2014 e foi DEZENOVE MINUTOS (Jodi Picoult). Tempos atrás eu descobri que um filme que eu havia gostado muito tinha sido baseado em um livro desta autora. Porém este livro ainda não tinha sido publicado no Brasil. Mesmo assim, procurei outros títulos dela e acabei ganhando este aqui no meu aniversário. Desconhecia a sinopse, não sabia qual eram as características de escrita dela, mas algum instinto de leitora compulsiva me avisava que eu ia gostar...
 

O livro nos traz uma premissa desgastada e assustadora na realidade americana: um adolescente entra em uma escola e sai atirando nos alunos, funcionários e professores que estiverem na sua frente. Como em casos conhecidos na realidade, o atirador foi vítima de bullyng e naquele dia, decidiu se vingar de toda a maldade que faziam contra ele, sendo assim, ele mata 10 pessoas e fere brutalmente mais 19, mas aí temos um diferencial da vida real para com a ficção do livro: o atirador não se mata ao final do massacre, a polícia consegue prendê-lo e o livro basicamente vai se desenvolver sobre o inquérito e ter o seu desfecho no julgamento.
 

As primeiras páginas do livro são confusas, vários trechos nos dando a introdução sobre os personagens principais, porém já no início da narrativa somos espectadores da barbárie cometida por Peter Hougnton e tudo a partir disso é escrito de forma quase poética, apesar de ser impactante e em alguns momentos assustadora. E ainda que a premissa seja desgastada e o início confuso, o livro é incrível!!!
 

Peter sofreu com o bullyng na escola desde o jardim de infância e somado à isso, ele tinha um irmão mais velho perfeito, logo, seus pais inconscientemente acabavam fazendo comparações entre ele e o irmão e, Peter cresceu desenvolvendo uma auto estima extremamente negativa sobre si mesmo. Quando criança, ele tinha uma amiga que chegou a defendê-lo com ardor das crianças que implicavam com ele, a Josie e, eles mantiveram a amizade até que Josie é seduzida pelos adolescentes populares do colégio e acaba se afastando de Peter, mais que isso, ela agora faz parte do grupo que age contra ele.
 

O livro se divide entre presente e passado e entre uma coisa e outra, conseguimos conhecer Peter intimamente. Da mesma forma, sabemos quem é a Josie e quais seus motivos para evitar a amizade com Peter. Esses dois personagens são tão vivos e incrivelmente tão bem descritos na história que eu confesso que até o tom de voz de cada um deles eu saberia reconhecer.
 

Apesar dos assassinatos, foi impossível não humanizar o Peter, não se compadecer dele, não amá-lo como ele era. Foram tantas humilhações e violências sobre ele, tantos momentos onde ele era diminuído e açoitado como ser humano que a minha vontade era me aproximar dele, abraçá-lo e dizer que tudo ia ficar bem. E não só me envolvi com ele em função do seu sofrimento: Peter é inteligente, possui diálogos originais, é uma pessoa interessante. Em contrapartida, encontramos Josie se acovardando mediante uma amizade pura, fiel, verdadeira para ser aceita por um grupo de adolescentes superficiais, ignorantes e despreparados para serem humanos.
 

No massacre, Josie é uma sobrevivente, nem sequer se feriu, ainda que estivesse ficado frente a frente com o assassino. Ela estava com Matt, o namorado dela que era um dos perseguidores de Peter, quando este os encurrala no vestiário e ela assiste Matt morrer e então ela não se lembra dos momentos finais até Peter ser pego pela polícia. 
 

Sabemos que é impossível para Peter ser absolvido, afinal, foram 10 mortos e nem todo bullyng do mundo é capaz de justificar essa violência, mas eu me vi torcendo por ele, eu me vi em vários momentos da narrativa, tentando imaginar um final menos corrosivo do que ele ser condenado a prisão perpétua e quando surpresas são reveladas no fim do julgamento, quase enlouqueci de emoção e ansiedade.
 

Eu adorei o livro. É uma história forte, triste, violenta, mas escrita de uma maneira tão bonita que quando terminei de ler, fechei o livro e o abracei, acho que num gesto estranho de querer abraçar os personagens.
 

Além de Peter e Josie, as pessoas que fazem parte do dia a dia, tanto do inquérito, como no passado, são muito bem construídos. Os pais de Peter que o amavam intensamente e nem desconfiavam que a dor do filho pudesse culminar em uma tragédia assim. A mãe de Josie, uma mulher forte, inteligente e que deixou a vida afastá-la da filha. O advogado de defesa de Peter, tão humano e perspicáz e o detetive policial que ganha a cena em várias páginas com diálogos inteligentes e justos.
 

Enfim, o livro é uma verdadeira obra de arte. Eu já li vários livros em que o bullyng é usado como pano de fundo, mas nenhum que tenha sido tão intensamente explicado. Já li tantas histórias de adolescentes sendo abusados emocionalmente, mas nenhum que me fez amar tanto o personagem. Esta é uma história que merecia ganhar mais espaço dentro das escolas, o assunto deveria ser mais debatido de forma que o bullyng acabasse sendo punido com mais vigor e justiça. O livro é forte, mas muito atual e um debate inteligente sobre sua temática seria de um ganho grandioso para uma geração que acredita que ser popular, é mais importante que ser verdadeiro.
 
 

O livro é recheado de quotes ótimos e mais que isso, algumas pequenas explicações sobre diversos assuntos que já ouvimos falar e que nem sempre conseguimos opinar. Foi complicado escolher apenas um para colocar na resenha.
 

Super recomendo, com certeza, foi um dos melhores livros que eu li este ano.
 
Texto escrito pela bloger "Meu amor pelos livros"
 
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Pai perdoa filho que matou a família e pede revogação da pena de morte


AUSTIN, Texas — Um homem do Texas que sobreviveu a um ataque doméstico letal promovido por seu filho está pressionando por clemência ao condenado, embora o estado nunca tenha poupado um preso condenado à morte apenas com o pedido formal da família da vítima.

 

Thomas "Bart" Whitaker terá sua pena de morte executada no dia 22 de fevereiro por injeção letal, por ter planejado um ataque, em 2003, próximo a Houston, que deixou sua mãe Tricia, de 51 anos, e o irmão Keith, de 19 anos, mortos e seu pai, Kent, ferido por uma bala perto de seu coração.

Nos 31 estados que preveem pena de morte, promotores que tomam a decisão de buscar a pena de morte, equilibrando a punição que consideram melhor servir à sociedade com os desejos da família da vítima. Nesse caso, os promotores do Texas solicitaram a pena de morte e o júri decidiu que Bart Whitaker, de 38 anos, merecia ser executado.Seu pai, um devoto cristão e executivo aposentado de 69 anos, disse que se essa pena for implementada, isso só aumentará sua dor.

— Eu vou ser lançado em um sofrimento ainda mais profundo nas mãos do estado do Texas, em nome da justiça — declarou Kent Whitaker na semana passada, após um encontro de 30 minutos com o presidente do Conselho de Perdão e Condicional do Texas, em Austin.

Whitaker disse que seu filho foi um presidiário exemplar e forneceu cartas dos guardas da prisão para apoiá-lo. De acordo com a petição de clemência, Kent Whitaker, seus parentes e a família de sua esposa não querem que o Texas execute Bart.

A decisão do conselho deve ocorrer na terça-feira, dois dias antes da execução. Caso recomende mudar a sentença de morte pela prisão perpétua, o governador Greg Abbott, um republicano, tomaria a decisão final.

Tim Cole, professor da Faculdade de Direito da Universidade do Norte do Texas e um ex-promotor público do Texas, disse que o caso aponta para uma grande falha no sistema de penas capitais dos EUA. Sem critérios consistentes para que os promotores saibam se deveriam buscar a execução, opinou, o sistema é arbitrário.

— Depende-se completamente dessa pessoa, do promotor, aplicar a pena de morte ou não — disse.

No entanto, o caso de Whitaker é um ponto fora da curva. Em muitos casos, membros da família querem que o promotor busque a punição máxima, disse Cole.

Desde que o Supremo Tribunal dos EUA restabeleceu a pena de morte, em 1976, considerar clemência a pedido da família da vítima é quase inédito, de acordo com a organização sem fins lucrativos Centro de Informações de Pena de Morte, que monitora esse tipo de condenação nos EUA. Ocorreu apenas uma vez na Geórgia, em 1990, informou o grupo.

" O GLOBO"




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