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maedocoracaosoueu

Ter | 12.06.18

NÃO TENHO PAI E DEPOIS!!!!!!!!!!!!

Como já disse várias vezes a adopção da Diana foi uma adopção monoparental.

após o fim de uma relação de 10 anos e da qual não houve filhos, pois o N já tinha uma, eu queria ser mãe, ponto final queria ser mãe!

 Sempre respeitei a decisão dele de não querer, fui burra podia engravidar e já estava , mas não, não sou assim e o respeito pelos outros é muito importante.

No início para a Diana o não ter pai foi sempre muito complicado.

Os colegas metiam-se com ela, diziam que era impossivel ela não ter pai.

Ela não sabia o que lhes dizer.

Chegava a casa desesperda por uma resposta.

Uma resposta para os colegas.

As crianças conseguem ser muito crueis.

Tão pequenas e tão crueis.

Ela já estava tão desesperada por ter um pai que me perguntou o que tinha acontecido ao dela.

 Ela pura e simplesmente venerava a figura masculina.

Saltava-lhes para o colo, algo que me fazia muita confusão.

Com os meus amigos era sempre a favor deles e contra mim.

Tenho que ser honesta, não estava preparada para esta pergunta, como nessa altura ainda não lhe tinha dito que era adotada, o que iria dizer sobre o pai?

Dizia-lhe que o pai a tinha abandonado, quando a devia ter amado?

Mas ela resolveu o assunto:

-Mãe o meu pai morreu não morreu?

-Sim filha morreu.

Confesso que ninguém nos ensina a encarar esta situação, e quando elas surgem, as respostas têm que ser tão rápidas, que nem tempo temos para pensar, isto não funciona naquela base de "eu vou pensar e já te respondo".

- Mãe o meu pai chama-se Rodrigo não chama?

Oh! que raio!

-Sim filha chama.

-Mãe quero ir ao cemitério vê-lo

Raios! Raios! Raios! Com esta não estava a contar, tinha que ir ao cemitério com a miúda e procurar todas as campas até encontrar um Senhor chamado Rodrigo, a sério?

Só para mim.

Lá fui protelando a visita ao cemitério, não me estava a apetecer de todo ele há sítios onde se pudemos evitamos entar, certo?

A miúda com esta questão resolveu mais um "macaquinho" dentro da sua cabecinha, pois ela precisava disto para fechar mais uma gaveta.

Lá disse aos colegas que o pai tinha morrido e que se chamava Rodrigo, e eles pararam de a chatear, ao pararem ela também perdeu a vontade de ir ao cemitério.

Mas a questão da figura masculina manteve-se, tinha uma "paixão" pelo tio tudo o que ele dizia era lei.

 Eu era a mãe que lhe ralhava, castigava e sendo mulher era muito má em comparação com os homens.

A Diana cresceu e uma vez à hora do almoço, ou jantar, não me recordo, ouviu a notícia, sim aqui em casa os pais gostam de ter a televisão ligada, eu não concordo, mas tenho que os respeitar.

Como dizia, ao ouvir uma notícia de um pai que tinha violado uma filha, vi que ela estava muito atenta à televisão, o que não é normal pois à mesa ela gosta de conversar, aproveitei a atenção dela à notícia, pois ela nunca prestava atenção, agarrei esta oportunidade e disse:

-Vês filha os pais também fazem mal aos filhos, não são só as mães, é óbvio que há mães que são más, mas os pais também são. E temos o inverso, há boas, muito boas mães e bons, muito bons pais.

Não disse nada, ouviu, captou e guardou.

O que é um facto é que a atitude dela mudou, não ficou a detestar os homens, nem ela tem essa capacidade, não faz parte do feitio dela, mas que mudou, mudou e eu fiquei mais aliviada.

Se resolvi bem ou mal a situação, o que é um facto é que resolvi, tal como as crianças, as mães não têm livros de instruções, logo guiamo-nos pela intuição

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