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mãedocoraçãosoueu

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RECONHECER!!ACEITAR!!!É NOSSO E PONTO FINAL!!! ESTE É O DESAFIO!!!

No processo de adopção muitas pessoas preocupam-se com o facto de tentarem ver refletida, nos seus filhos, a imagem de si mesmas. Acreditam que, se o filho morar dentro de “suas barrigas” serão mais parecidos ou mais identificáveis na vida quotidiana. Porém, a maioria esquece que, quando se tem filhos biológicos, um dos maiores desesperos que acontece logo após o nascimento é olhar para aquele bebé e não saber o que ele quer/precisa. Aliás, é comum a frase: “filhos não vêm com manual”. Isso significa que nem o filho biológico garante nosso entendimento do que ele precisa ou quer nessa vida. Sabem por que acontece isso? Porque filho é outra pessoa! E, ainda que nasça de dentro de você, ele ainda assim será outra pessoa. Portanto, não adianta  preocuparem-se ou  desesperarem-se em achar que o filho adoptado será um desconhecido, afinal, todo e qualquer filho é um desconhecido que nos propomos a conhecer ao longo da vida, seja ele do “mesmo sangue” que a gente ou não… a procedência pouco importa nessa questão. A partir do momento em que nasce, um filho cria individualidade, e nós pensamos em como entender essa individualidade porque não reconhecemos esses limites. Para tanto existe o amor. Para ajudar a superarmos as barreiras impostas, seja biológica ou racionalmente, abrindo caminho para o conheciemento. E o fato de não nos identificarmos, não entendermos ou não combinarmos com o filho não significa que não haja amor, mas sim, que estamos na luta por algo cada vez melhor (ou seja, há amor, mas não do jeito que se romantiza e vende por aí).

Vêem a contradição? Mães biológicas rejubilam ao voltar para casa com seus filhotes recém nascidos, porque ainda que os amem desde o primeiro momento e que eles tenham nascido de suas barrigas, ainda assim, elas não sabem o motivo do choro, do gemido, do choramingo, do resmungo. O mesmo acontece com o filho adotivo. A diferença é que, normalmente, ao sentir o estranhamento da separação dos mundos, com o filho adotado achamos que isso acontece porque ele não nasceu de nós. É aí que mora o engano, pois as mães biológicas também sentem a mesma coisa. Repito: o estranhamento acontece porque eles nasceram de nós (ou de outras pessoas) e, a partir do momento em que nascem, estão criando a própria história. Podem carregar o nosso sangue, mas terão um outro caminho, um caminho individual e unicamente deles. Essa diferenciação, essa separação, essa distinção acontece em qualquer tipo de maternidade. Toda e qualquer mãe trabalha muito para reconhecer seu filho e entendê-lo, seja ele adotado ou não. O choro será um dilema, as dores serão um enigma, as manias serão uma aprendizagem. Tanto faz a procedência dessa criança, nós sofremos mesmo! E não pense você que isso acontece só com filho bebé ou criança pequena, porque o filho adolescente é um enigma ainda maior, seja adotado ou gerado.

Portanto, aceite. Aceite que a frase “filho não vem com manual” foi criada por mães biológicas porque filho é um mistério em qualquer tempo ou formato… e estamos aqui para desvendá-los. Não importa se ele nasceu da sua barriga ou da barriga de outra pessoa. Porque o manual inexiste em qualquer tipo de filiação! A gente aprende, com o tempo, a entender e conhecer um filho. Hoje, conheço cada faceta da minha filha, Mas de dia para dia eles aparecem com um novo desafio para o qual eu raramente tenho uma resposta ou uma solução de imediato.

O ideal, acredite, é aceitar esse desafio e lutar ao lado dele, contar com ele, tal como uma planta, tratar dele, regá-lo, podá-lo para que daí nasça a planta mais linda do seu jardim.

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