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mãedocoraçãosoueu

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CUIDADO COM A MINHA MÃE!!!!!!!!! POIS TEM UM BOM CORAÇÃO!!!!!!!!!!

A minha mãe apesar de tudo tem um bom coração.

Sempre teve.

Está-lhe no sangue.

Aqui na "aldeia" onde vivemos tal como já disse, dentro do normal todos nos conhecemos,todos temos uma história e todos sabemos um pouco dessa história.

Histórias essas que muitas vezes poderão ser mal contadas, pois quem conta um conto acrescenta um ponto.

Mas foi sempre assim, não?

Assim sendo camos falra do Luis.

O Luis tem uma história.

Era um rapaz "normal" até ao fatídico dia em que foi atropelado por um autocarro e ficou com mazelas.

Ficou com uma pequena deficiência.

Enquanto a mãe do Luis era viva ele andava sempre limpo, barbeado, bem alimentado, após a morte da mãe foi viver com a irmã e deixou de ser o Luis que todos conhecemos.

Agora anda sujo, não se barbeia, está muito magro e anda na rua o dia todo faça chuva ou faça sol.

Nos dias de chuva até dá dó, pois anda sempre completamente encharcado.

O Luis fuma muito, é normal que tenha muita tosse e muito catarro.

O Luis todas as manhãs gosta de ir à padaria beber o seu café ou o seu pingo e o seu copo de água.

As funcionárias da padaria não o querem lá.

Dizem que ele incomoda as outras pessoas, com a sua tosse, o seu catarro e por não cheirar muito bem.

Desde que vive com a irmã tal como já referi o Luis não toma um banho diário, nem se barbeia, não muda de roupa.

A minha mãe todos os dias às 6 e 30 da manhã vai comprar pão.

E lá está o Luis.

Num triste dia, triste para a funcionária, a minha mãe ouviu-a expulsar o Luis e negar-lhe um café  e o copo de água, mas não falava , berrava.

A minha mãe passou-se

-Cristina, dá o café ao Luis que eu pago.

-Oh Dona Julia o Luis não pode tomar café.

-Dá-lhe um pingo, não quero saber, vais servir o Luis.

-Oh Dona Julia mas ele é mal educado e incomoda as pessoas.

-Cristina já te disse o Luis vai-se sentar e vai tomar aquilo a que tem direito e não quero saber se incomoda as pessoas, a mim não me incomoda.

A Cristina ficou furiosa mas lá serviu o Luis.

A minha mãe não ficou por aí.

-Sabes Cristina o Luis não era assim, infelizmente sofreu um acidente, e sabes mais uma coisa, tens uma filha, pensa nisso. E mais te digo se volto a assistir a mais uma cena destas faço queixa de ti ao teu patrão.

Virou costas e veio embora.

A Cristina ficou a falar sozinha, a falar da minha mãe claro, mas sabem uma coisa?

É para o lado que ela dorme melhor.

Não se importa.

Não admite faltas de respeito.

A Cristina sabe que a minha mãe se dá muito bem com o patrão e não hesita em fazer queixa dela ou da outra colega, a funcionária da tarde que o trata exactamente da mesma maneira.

Até à data a minha mãe não me contou mais nada.

Depreendo que o Luis pelo menos de manhã esteja a ser bem atendido e tenha direito ao seu café ou pingo e o copo de água.

 

 

 

 

 

CUIDADO COM A MINHA MÃE!!!!!!!!!AFINAL TEM UM CORAÇÃO DO TAMANHO DO MUNDO!!!!!!!!!!!

A minha mãe não é para brincadeiras.

Sim é verdade.

Mas tem um coração do tamanho do mundo.

Aqui na "aldeia" onde vivemos, todos nos conhecemos, uns melhores que os outros mas sim conhecemo-nos.

Conhecemos as histórias uns dos outros.

Com conta peso e medida como é óbvio.

Em frente ao meu prédio há um correr de várias casinhas.

Numa dessas casinhas vivia uma família com uma hsitória muito triste.

Nessa casinha viviam, o patriarca, um senhor alcoólico, o Carlos, filho deficiente, a filha com um filho deficiente profundo, uma filha e o marido o Sr. Armando, dos habitantes desta casa só sei dois nomes.

Quando passavamos na rua, ou quando ia com a miúda andar de bicicleta só ouvia discussões e muitos palavrões à mistura, o Carlos fazia muitas asneiras.

O Carlos é deficiente, mas contudo é autónomo, vai todos os dias para a instituição sozinho, de autocarro, mas era um rapaz muito violento, então quando estava mal disposto, eu sempre que o via atravessava a rua pois tinha-lhe medo, a minha mãe não, sempre se deu bem com ele.

O patriarca chegava a casa sempre alcoolizado.

Muitas vezes caía no chão e batia com a cabeça no passeio e lá vinha o INEM, tantas vezes o INEM veio a esta rua.

Uma vez caiu em frente ao quintal da minha mãe e foi ela que o socorreu, não sem antes lhe dar um sermão daqueles.

Outra vez o Carlos decidiu espreitar para dentro dos contentores de lixo doméstico e caiu lá dentro, a minha mãe que ia dar de comer aos coelhos ouviu-o e lá foi em seu socorro, e ao puxá-lo ia ficando lá dentro também.

Ficaram os dois a cheirar lindamente

E o carlos levou um daqueles sermões!!!!!!!!

Entretanto o Sr. Armando que sofria de problemas cardíacos faleceu.

Após o seu falecimento a esposa foi viver com um senhor com quem já andava.

Ficou o Carlos, um rapaz deficiente e o pai alcoólico sozinhos.

Foi o caos total.

O Carlos começou a não ir para a instituição.

O Carlos fazia as necessidades na rua.

O Carlos provavelmente não comia nem tomava banho.

O Carlos ia aos baldes do lixo na rua e se via uma garrafa abria-a e bebia o que lá estava dentro, isto eu presenciava da minha cozinha e ficava chocada.

Alguns patetas aqui da rua tinham por hábito enfiá-lo nos baldes do lixo, só porque sim, porque achavam pidada, mas argumentavam que o faziam pois o Carlos riscava-lhes os carros.

Será verdade?

A ser verdade porque o fazia?

Porque eles lhe faziam mal certo?

O Carlos podia ser deficiente mas tinha algum discernimento

Ele nunca riscou o carro do meu pai.

Era uma vida triste muito triste.

Daquelas vidas que ninguém deseja.

E o pai do Carlos continuava a chegar a casa alcoolizado.

Contei à minha mãe o que via o Carlos a fazer nos baldes do lixo.

E a minha mãe falava do facto de ele fazer as necessidades na rua, essa era a parte que mais a chocava.

A minha mãe sem mais nem porquê 

-Deixa que eu vou tratar do assunto.

E assim foi.

Foi a casa de uma senhora influente aqui na aldeia e colocou-lhe o problema.

A senhora disse-lhe para ficar descansada que ia tratar do assunto.

A Senhora já conhece a minha mãe há muitos anos.

Já sabia de antemão que o assunto teria que ficar resolvido, pois a minha mãe não ia baixar os braços.

E assim foi.

O Carlos foi institucionalizado.

O Carlos com toda a certeza já usufrui de todas as refeições e do seu banhoe de tudo a que tem direito.

O Carlos já não anda nos baldes do lixo.

Entretanto o pai do Carlos morreu.

Ele há males que vêm por bem.

O Carlos com toda a certeza preferia estar em casa.

Ainda bem que não ficou.

O Carlos não sabe que o pai morreu.

Mas eu também nem se ele tinha percepção que tinha um pai.

Carlos onde quer que estejas e dentro dos teus limites espero que estejas bem.

Mas uma coisa é certa foram tantos os anos com a presença dele aqui na rua que ainda hoje falamos no Carlos e das suas peripécias, principalmente aquela em que a minha mãe ia ficando dentro do contentor de lixo doméstico

 

 

 

 

 

CUIDADO COM A MINHA MÃE!!!!!!!!! ESTA ASSUSTOU-ME DE VERDADE!!!!!!!!!!!

Tal como já vos tinha contado no post anterior a minha mãe tem um quintal, aliás tem dois, mas um deles fica muito perto de casa.

Esse quintal é de um lavrador que o aluga em parcelas.

A parcela da minha mãe é a primeira bem perto da estrada.

Uma estrada onde passam poucos carros, somente os dos habitantes desta aldeia onde moramos.

Há muito, muito tempo um grupo de miúdos no Verão e como estavam de férias, decidiam ir brincar à noite, jogar à bola e fazer música, mesmo em frente do terreno da minha mãe.

Se a música fosse de qualidade até se tolerava.

Mas até aí tudo bem.

Como dormiamos com as janelas abertas ouvia-se o barulho até ás tantas da noite, mas que poderíamos fazer senão aguentar?

Continuo a dizer até aí tudo bem.

Brincar na rua não é proibido.

Proibido é brincar fazendo asneiras.

A minha mãe no outro dia de manhã quando ia para o quintal tinha tudo destruido, pois como é óbvio ao jogarem à bola esta ia para o quintal e para a recuperarem eles pisavam tudo.

Além disso encontrava vários objectos, pois eles decidiam fazer pontaria aos legumes plantados.

A minha mãe já fervia

E assim foi durante uns dias.

Mas eles como se julgavam muito espertos um dia decidem ir brincar enquanto a minha mãe estava nos seu afazeres, no quintal, a tratar da sua horta.

E vai que de repente, uma bola no quintal.

A minha mãe nada fez, a bola ficou lá, e ela ficou à espera do corajoso que lha pedisse.

Nada, não disseram nada, mas começaram a dizer uma data de palavrões, a insultá-la.

A minha mãe não tem mais nem porquê, pega na foicinha.

Sabem o que é uma foucinha?

É um objecto para cortar erva e tem dente bem afiados.

A minha mãe pega na foucinha e atira-lhes.

Nem olhou, atirou e pronto.

Os miúdos panicaram, não estavam a contar e vai um deles:

-Cara....... a mulher é maluca, não viu que me podia matar.

- E mato-te mesmo, não só por estarem a gozar comigo mas também por andarem a destruir o meu trabalho.

Fugiram.

Para onde não sei.

Uma mãe veio pedir desculpa.

O avô de outro quando viu quem era a suposta assassina do seu neto, voltou para trás.

Em casa ao contar-me tal situação zanguei-me com ela.

-Tu sabes que podias ir para a cadeia se acertasses em alguém?

-Tu achas que o terreno vale a pena tu ires para a cadeia?

-Tu queres que fiquemos sem ti?

A minha mãe sabiamente responde

-Eu sei disso tudo, mas não admito que brinquem com o meu trabalho, que me insultem e acima de tudo que gozem com a minha cara, eles fizeram de propósito para me testar, tiveram azar.

Uma coisa é certa os miídos mudaram de local, foram gozar outro.

Mas ainda hoje me questiono, tantas parcelas de terreno porque é que a minha mãe escolheu logo a que está à face da rua?

Que educação davam os pais aqueles miúdos?

Agora são homens, alguns casados e com filhos.

Que educação vão dar aos seus?

Será que se vão lembrar do que fizeram?

Será que vão ensiná-los a respeitar o próximo?

Uma coisa eu sei.

Nesse dia eu podia ficar sem a minha mãe.

 

 

CUIDADO COM A MINHA MÃE!!!!!!!!!!

A minha mãe é uma força da natureza.

Sempre foi e continua a ser.

Quem me dera ter metade da força que ela tem.

É uma mulher com um M grande.

Fez-se à vida sozinha.

Não tinha pai nem mãe para a apoiar, para lhe dar a mão, para lhe dar conforto.

Foi uma filha, uma mulher sem mãe e sem pai.

Deixou de trabalhar por mim.

Sim por mim, pois não havia ama que conseguisse cuidar de mim

Então? Mas eu era pequenina!!!! O que pode uma menina pequenina fazer assim de tão mau?

O meu pai pediu à minha mãe para deixar de trabalhar.

E a minha mãe assim o fez.

Para cuidar de mim.

Começou a dedicar-se à agricultura.

Enquanto cuidava de mim.

E até hoje é amor para a vida toda.

Continua a dedicar-se à agricultura.

Mas cuidado com a minha mãe.

Ela não brinca.

Não brinca não, foram tantas as que levei!!!!

Mas deu frutos, modéstia à parte deu frutos

Mas o que vos vou contar é o seguinte:

Há muito, muito tempo, para nos deslocarmos para qualqer lado íamos de autocarro.

Sim, a minha mãe há muito tempo saía, agora não, é casa terreno, terreno casa.

E é feliz assim.

Ora vamos continuar a história.

Estavamos nós à espera do autocarro , o meu pai, a minha mãe, o meu irmão e eu.

Estão a ver aqueles autocarros de dois andares com portas de fole? Pois bem eram esses.

Estavamos na paragem quando chega o dito cujo quando senão:

Olhamos para a para trás e estava uma senhora a berrar pois o filho tinha ficado com o pescoço entalado na porta, o motoista não esperou que a criança saísse,.

O meu pai não tem mais nada sai do autocarro e parte o espelho retrovisor, dá-lhe um murro!!!!!!!!!

E diz:

-Se não viu a criança então não precisa disto.

Saímos do autocarro, pois já não era intenção de ninguém ir naquele, e sai o motorista e o pica, lembram-se do pica?

O senhor que com um objecto tipo agrafador furava as senhas?

Poi bem esse mesmo.

O motorista e o meu meu pai começaram a discutir e vai daí o pica prende os braços ao meu pai para que o colega lhe pudesse acertar melhor.

E vai daí a minha mãe puxa o braço direito atrás e dá um valente murro ao pica.

E nós, eu e o meu irmão perguntam vocês?

Nós estavamos a assistir à cena, tipo filme estão a ver?

Vai daí diz o pica:

-A senhora foi a primeira mulher que me bateu.

A minha mãe:

-E volto a fazê-lo se não largar o meu marido. Um contra um tolero, dois contra um não.

E ficou por aqui.

O motorista foi para o volante, o pica entrou e nós ficamos à espera do próximo autocarro.

Um que não tivesse o espelho retrovisor partido, pois náo não queríamos viajar num autocarro com o retrovisors partido.

Alías, nós e os outros passageiros, não eram muitos mas todos se juntaram a nós.

Já ninguém queria viajar no autocarro com o retrovisor partido.

Não fosse o diabo tecê-las e alguém mais ficar lá com o pescoço

Se isto nos marcou?

Que nada já sabíamos bem de que "massa" era feita a minha mãe só nunca a tínhamos visto bater em alguém.

O meu irmão não se lembra e eu só me lembro do menino com o pescoço entalado na porta e do retrovisor partido.

 

 

 

 

 

 

 

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